A busca por tornar-se melhor não significa não sentir


Natalia dos Santos Leite Batista

Psicóloga


Ao falar sobre a importância de se permitir sentir tristeza, raiva, angústia, luto e todos estes sentimentos que a maioria de nós considera incômodo, ouvi que a psicologia ia contra o evangelho.


Confesso que aquele comentário me deixou com raiva, mas percebo que este é um dilema para muitos, quem quando estava triste não ouviu “não fica assim não” - “homem não chora” - “ele (a) não merece suas lágrimas” - “pense pelo lado positivo” - “vou te dar um motivo de verdade para chorar” entre tantas outras frases que nos diz que sentir é errado, e que esses sentimentos nos definem. Por exemplo: a raiva nos torna uma pessoa ruim, a tristeza gera uma pessoa fraca e assim por diante. As consequências desta negação do que sentimos pode ser o adoecimento emocional, as doenças psicossomáticas e até mesmo se manter em relações tóxicas.


Schwartz, Lopes e Veronez (2016) fundamentam que quando criança seja ensinado sobre as emoções, nomeá-las e as possíveis consequências de como as expressamos. Cabe lembrar que as crianças aprendem muito através da observação, colocando os responsáveis na posição de espelhos para essas crianças, portanto se faz necessário que estes busquem a cada dia expressar suas emoções e pensar sobre a forma que a estão expressando com os familiares, amigos, no trabalho e afins. Está habilidade tem grande importância e permeara diversas áreas e situações ao longo de nossa vida.


Muitas vezes quando pensamos em perfeição imaginamos que alguns sentimentos como angústia, medo, raiva, tristeza não se encaixa neste ser que você busca se tornar. Para vermos que estes sentimentos estiveram presente até mesmo naquele que é perfeito e serve de modelo para muitos fieis, olhemos para alguns momentos da vida de Jesus.


Quando soube da morte de seu amigo Lázaro, em João 11:35 “Jesus pôs se a chorar.” Neste versículo vemos um homem chorando, o que já nos coloca frente a pergunta: Porque homem não pode chorar? Por vezes pedimos aos homens mais compreensão, empatia e nós mesmos os educamos para não sentir.


Em Mateus 21:12, “Jesus entrou no templo e expulsou dali todos aqueles que se entregavam ao comércio. Derrubou as mesas dos cambistas e bancos dos negociantes de pombas, ...” Através deste comportamento percebemos que Jesus sentia indignação, raiva e ira ao ver que haviam feito do templo um comércio. Este sentimento é importante, pois nos ensina delimitar limites, por um basta em situações que nos estão fazendo mal.


Lucas 22: 43-44, “Apareceu-lhe um anjo do céu para confortá-lo. Ele entrou em agonia e orava ainda com mais instância, e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra.” Com estes versículos podemos aprender que não precisamos passar por momentos de aflições sozinhos. Busque auxílio em pessoas que irão compreender sua dor e vemos também o impacto que nossas emoções têm sobre nosso corpo, pois sua agonia era tamanha que suou com gotas de sangue. Não precisa chegar a este ponto, busque ajuda profissional.


Quando aprendemos a identificar e nomear nossos sentimentos podemos escolher como expressá-los. Uma vez que expressamos de forma assertiva, as chances de encontrar soluções equilibradas aumentam bastante. Uma outra habilidade que contribui muito é aprender a ouvir o que o outro está me dizendo, perguntar para ter certeza que a mensagem foi entendida corretamente para que não haja desencontros. Pensando nisso, deixo como dica de leitura o livro – Comunicação Não Violenta.


Encerro este texto com um agradecimento através das palavras de Loreto (1977) aos aprendizados que os sentimentos nos trazem e espero que você, aí de casa, pense e consiga fazer os seus agradecimentos.


Bendita tristeza que não me permite ser absurdo em relação a mim mesmo. E bendita alegria que me permite comemorar a recuperação de um amigo e a posse das virtudes que realisticamente possuo. E bendita inveja que me faz querer possuir o que meu inimigo possui, e bendita admiração que me faz comemorar o que meu amigo possui, como se eu mesmo possuísse. E ... bendita ...; e bendita ... que não nos permite ser absurdos. (Loreto, 1977)

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